Do Videoclipe ao Webclipe

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Nos anos 80, as novas tecnologias audiovisuais e de informática aliadas à videoarte permitiram que o videoclipe chegasse ao que poderíamos chamar de “auge em termos de criação”. Claro que não se pode ignorar a sua função mercadológica, que permanece até hoje, mas naquela década havia também uma preocupação estético-criativa que hoje parece ter se perdido. Basta ver o clipe Imagine produzido por Zbigniew Rybczynski.

Esse vídeo atende bem às qualidades do clipe colocadas por Arlindo Machado (1995) como fruto da terceira fase da televisão em que apareceriam novas formas de expressão, bem como liberação dos modos narrativos e jornalísticos próprios desse meio. Para o autor, na terceira fase da tevê os recursos da informática prevalecem e, nessa via, a manipulação da imagem, trazendo uma fase de não narratividade, não linearidade, não referencialidade e informações não relacionadas.

Trinta anos depois, o que se pode constatar em termos de videoclipe é sua adequação a uma linguagem bastante comum e o esquecimento da criatividade. Por outras palavras, eu diria que se chegou a um tempo de decadência do videoclipe devido à perda de seu poder de criação e inovação. O ponto forte do videoclipe permanece sendo a venda e, portanto, seu caráter mercadológico. A criação estético-artística em audiovisual foi dispensada. O que se percebe é um sem número de clipes estruturados sobre um formato muito similar. Generalizando, pode-se dizer que quem viu um, já viu todos.

Contudo, como é impossível engessar as manifestações expressivas, a função inicial do videoclipe tomou espaço em outras esferas midiáticas e assumiu novos formatos estéticos. O Youtube é um dos lugares em que habita o handmade criativo do audiovisual. As produções caseiras, com o advento da internet, alcançaram circulação considerável e provocaram a proliferação de mutações tanto na linguagem quanto na estética audiovisual.

Assim, entende-se que, apesar do videoclipe e da videoarte serem manifestações audiovisuais contemporâneas, de seus formatos, tempos e conteúdos derivaram outras formas audiovisuais, ainda mais atualizadas, que ganharam espaço sobretudo no Youtube e que sofreram transformações, desterritorializações e retorrializações que vão do vídeo à web.

Bibliografia

MACHADO, Arlindo. A arte do Vídeo. São Paulo: Brasiliense, 1995.

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