Homens biônicos: dos filmes de ficção científica para a vida real

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Por Taís Seibt

Na série de TV dos anos 70, o astronauta Steve Austin recebeu braço, pernas e olho biônico, depois de sofrer um acidente de avião, numa cirurgia experimental que o transformou no Homem de seis bilhões de dólares. Pois bem, estamos relativamente acostumados a ver pessoas com próteses, às quais nos referimos como deficientes físicos ou portadores de necessidades especiais. Mas e se esses membros substitutos fossem como os da série de TV, os quais tornaram Austin mais veloz, mais forte e com uma visão mais apurada que a de qualquer ser humano comum? Nesse caso, o desprezível termo “necessidades” poderia ser tranquilamente substituido por “habilidades”. E parece que é para essa trilha que a tecnologia se encaminha: corpos cada vez mais potentes.

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Matéria de capa da Revista Época de 8 de fevereiro de 2010 dá conta de que as novas tecnologias são capazes não apenas de substituir, mas até mesmo de melhorar braços, pernas, ouvidos, coração…! Nos Estados Unidos um coração totalmente artificial já pode ser comprado por 250 mil dólares. Rim, pâncreas e bexiga artificiais também estão sendo testados.

Nessa esteira, vem aí Repo Men, com Jude Law, Forest Whitaker e a brasileira Alice Braga, que no Brasil em setembro de 2010. O filme trata de uma empresa que vende órgãos biônicos a um alto preço. Aqueles que não pagam a dívida, têm seu órgão retirado pelos repomen (espécie de cobradores) – sem cirurgião nem anestesia. Um site criado para promover o filme simula a existência da empresa The Union. Dando uma navegada, é possível sonhar com um coração novinho em folha para colocar no lugar do velho órgão que tem nos feito sobreviver até então. Enquanto você analisa as propostas de financiamento, uma musiquinha toca ao fundo, com som de final feliz.

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Repo Men apresenta nada mais do que já não possa ser feito. Assim, a representação dos ciborgues no audiovisual, fortemente marcada por robocops e exterminadores do futuro, fica mais próxima da realidade com os “transplantados” deste filme e levanta a dúvida: há limites para nossa hibridização com as máquinas?

Aspectos dessa pergunta já começam a ser respondidos. Fiquemos apenas com o corriqueiro dos implantes: braços e pernas biônicos. O pernambucano Paulo de Almeida, personagem da já referenciada reportagem de Época, perdeu a perna direita em 1997, aos 31 anos. Em 2007, usando uma prótese aerodinâmica, ergonômicoa e ultrarresistente, ele aguentou os 89 quilômetros da maratona Comrades, na África do Sul, e tornou-se o único paraesportista brasileiro a vencer a corrida, que tem mais que o dobro do percurso da maratona tradicional (42 quilômetros). Almeida testemunha que hoje faz muito mais do que quando tinha as duas pernas.

O biofísico americano Hugh Herr vai além. Inventor de uma prótese de pé e tornozelo, com motor elétrico, chips e sensores, ele afirma que o uso de próteses para expandir as capacidades humanas será comum daqui a um século e que os melhores atletas estarão nos jogos paraolímpicos, não nos olímpicos.

Haveria algum Homem de Ferro disposto a investir alguns bilhões de dólares para se transformar num super-homem? É esperar para ver.

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