VAMPIRO E LOBISOMEN – Um novo conceito

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vampiro e lobisomen

 

 

Por meio do audiovisual é possível adquirimos uma significação midiatizada do que é um vampiro e o do que é um lobisomem, assim como vários outros personagens que cercam o imaginário e que são produzidos especialmente para filmes, seriados, videos publicitários, videoclipes . O vampiro e o lobisomem são associados ao “mal”. Vampiro, a figura que morde o pescoço da vitima e suga-lhe o sangue. Lobisomem, personagem que em noites de lua cheia transforma-se em metade homem, metade lobo e ataca as pessoas.
Com o início do cinema de ficção científica – que já trazia sua inspiração da literatura de mesmo gênero – as possibilidades de materialização (em película) de corpos que habitavam o imaginário, passaram a ser atualizadas nos meios audiovisuais. Esses meios possibilitaram, portanto, que seres que existiam nas fantasias humanas, relatados na história oral e nos livros, ganhassem forma em e sons e imagens em movimento. (ROSÁRIO; MACHADO, 2009)
A saga Crepúsculo rompeu com os sentidos já sedimentados no imaginário sobre o perfil desses personagens.
No entanto, temos que considerar que outros mutantes, como os vampiros e lobisomens por exemplo, são a antítese dos heróis, estão desterritorializados em relação ao contemporâneo mutante, representando seres das trevas. Nestes casos sua mutação estabelece “desvantagem” social, pois são tratados mais como monstros. Corporalmente, no entanto, mantém a superioridade em relação aos humanos, mas sofrem um processo de exclusão ainda mais drástico. Os audiovisuais que retratam lobisomens e vampiros se proliferaram com bem mais força entre as décadas de 195e 1980. As redes discursivas mais hegemônicas trazem como resultado das semioses dos diversos audiovisuais que tratam de mutantes, por um lado, os sentidos de seres superiores, mas também de seres anormais: um misto de herói e ser fronteiriço da anormalidade. A grande maioria deles desperta medo nos seres “normais” e tem problemas de aceitação social. Isso configura bem as questões de alteridade que imperam no mundo da ficção como reflexo do mundo cotidiano. (ROSÁRIO; MACHADO, 2009)
Na história de Stephenie Meyer tivemos um novo conceito para esses seres que reconstituem a relação de medo e morte com os humanos. Fomos apresentados para vampiros e lobizomens “mocinhos”. O vampiro “vejetariano” que não se alimenta de sangue humano, somente, de sangue de animais e, os lobisomens que defendem os humanos do mal.
A saga é um romance, e um romance que ganhou fãs em vários países. “Amanhecer” está nos cinemas e é o quinto filme da série Crepúsculo de Stephenie Meyer e arrecadou uma bilheteria de US$ 254,59 milhões. É o final da saga Crepúsculo. Após dar a luz a Renesmee (a filha meia humana e meia vampira de Edward e Bella) Bella quase morre e é transformada em vampira, agora ela e Edward têm que proteger sua filha da ameaça dos Volturi. Em Amanhecer, lobisomens e vampiros lutam juntos para proteger suas vidas e a vida de Renesmee.
Desterritorializados do personagem “mau” e reterritorializados nos mocinhos, os protagonistas de Amanhecer ganham características novas. Edward Cullen é um vampiro, ele sente sede de sangue humano, mas não quer matar, então alimenta-se do sangue de animais, ele brilha quando esta no sol, e não dorme em caixões como outros personagens retratados em filmes desse gênero. Ele possui rapidez, força e compaixão pelos seres. Na saga, ele é apaixonado por Bella, uma humana que por amor deseja tornar-se vampira.
Já Jacob, é um lobisomem, mas não daqueles que ouvimos nas histórias, um humano mordido que se transforma em noite de lua cheia. Ele é um garoto que faz parte do povo quileute, são humanos que podem se transformar em lobo. Os vampiros são seus inimigos mortais, e quando eles aparecem em sua região, os jovens quileutes se tranformam, “explodem” do corpo humano e transforman-se em lobo para proteger os humanos dos vampiros, que diferentemente da família de Edward, não se acostumaram ou não optaram por uma vida privada do sangue humano.

ROSÁRIO, Nísia Martins do; MACHADO, Ricardo. Atualizações audiovisuais, semioses e devires: somos todos mutantes. 2009.

Texto: Thamiriz Amado

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