Quebra-se o espelho: uma cartografia da configuração semiótica do corpo abjeto

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Anos de pesquisa: 2019 – atual.

A meta do projeto é o estudo das linguagens e semioses de corpos abjetos na mídia e em espaços públicos urbanos, configurando inicialmente uma problemática de pesquisa que se debruça sobre os modos de exclusão e marginalização, de tensões e resistências, bem como de jogos de poder provocados por esses corpos na composição de textos comunicacionais. Os corpos abjetos são entendidos como aqueles que não se conformam às regras, às regularidades, às previsibilidades e às normatividades do centro da semiosfera do corpo e que, em consequência, estão situados na periferia desta. Mesmo que inspirado nos estudos queer, o termo abjeto aqui empregado não restringe sua abrangência às questões da sexualidade e da heteronormatividade, a própria Butler (2001) o entende como aquele cuja vida é considerada como não importante, sua humanidade se torna questionável. Tais corpos se comunicam por meio de textos que, de acordo com as semioses constituídas sobre as normatividades culturais, despertam sentidos de indigno, inapropriado, inadequado, vergonhoso, baixo, vulnerável, inconveniente, miserável, precário, coitado, desprezível, incômodo, entre outros. Ainda que não seja o objetivo manifestar-se como ?marginal? (estar à margem), os corpos abjetos causam tensionamentos e incompreensões em suas manifestações e decodificações. A proposta do estudo é deixar essa dimensão sem delimitações fixas neste momento afim de efetivamente ?descobrir? a textualidade abjeta do corpo no trajeto a ser desenvolvido no campo empírico e teórico da investigação. Contudo, dentro de uma perspectiva hegemônica poderíamos entender esses textos como os que trazem deficiências físicas, deficiências mentais, miserabilidade (pessoas em situação de rua, pessoas que vivem de esmolas), multiplicidade de gênero (travestis, trans, efeminados, masculinizadas, queer, binários/as etc), formas físicas fora do padrão, entre outros. A perspectiva teórica de base virá da Semiótica da Cultura com a complementação de estudos do corpo relacionados ao âmbito da linguagem, da significação, dos processos coercitivos e que virão da sociologia, da antropologia, da filosofia e da comunicação, com autores como Le Breton, Goffman, Foucault, Birdwistell, Preciado, Derrida, Silva, Milskolki. O viés metodológico se construirá sobre a cartografia baseada principalmente em Deleuze e Guattari, Kastrup e compreendida como um método de criação permanente construído no processo de investigação, que permite delinear uma rede de forças e suas modulações e movimentos (POZZANA; KASTRUP, 2014). O mapa cartográfico será organizado em conexão com as perspectivas teóricas, a coleta de dados e a construção de conhecimento com corpos abjetos que habitam imagens midiáticas formatadas pelo ficcional e pelo informativo e, também, por aqueles que se manifestam nos espaços públicos urbanos..
Situação: Em andamento; Natureza: Pesquisa.
Alunos envolvidos: Mestrado acadêmico: (3) Doutorado: (5) .

Integrantes: Nísia Martins do Rosário – Coordenador / Ricardo de Jesus Machado – Integrante / Danielle Miranda – Integrante / Adriana Pierre Coca – Integrante / Douglas Ostruka – Integrante / Gabriela Pacheco Dávila – Integrante / Paula Coruja – Integrante / João Batista Nascimento dos Santos – Integrante / Sinara Sandri – Integrante / Yvets Morales – Integrante / Vanessa Drehmer – Integrante / Mariana Argoud Dias – Integrante.

Número de produções C, T & A: 5 / Número de orientações: 9